
O filme “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto, baseado na obra homônima de Jorge Amado retrata a cidade de Salvador dos anos 1940. Dona Flor, uma mulher casada com Vadinho, caracterizado como a típica figura do malandro: um homem que freqüenta bordeis e gasta seu dinheiro com jogatinas em cassinos com os amigos, enquanto Dona Flor dá aulas de culinária para sustentar a casa.
Mas, durante o carnaval seu marido tem um mal súbito e morre. Dona Flor prossegue sua vida, até que com a ajuda de suas amigas fica noiva de um farmacêutico e casa-se novamente. Ele é o oposto de seu ex-marido, homem sério, conservador, aprecia e toca música clássica. Enfim, para os padrões morais da época eles possuíam um casamento perfeito. Até que Dona Flor começa a conviver com o espírito de seu ex-marido.
A figura que conduz o filme é a personagem interpretada por Sônia Braga – Dona Flor. É em torno de seu papel social e suas transformações que as relações vão desenvolvendo-se. Ela é a figura que liga dois mundos – ou dois Brasis distintos: um onde vivencia um universo branco, católico, conservador e outro universo negro, do candomblé, de uma vida mais livre e simples. Isso pode ser caracterizado no filme, principalmente pela mulher que lhe ajuda com os afazeres domésticos – Sofia – , que é negra e sai de sua casa logo depois que ela se casa com seu segundo marido, Teodoro. Na realidade é ele que a põe para fora e coloca uma empregada branca em seu lugar. Veja que até a relação de trabalho muda, antes era uma pessoa que trabalhava e possuía um vínculo com a casa, esta outra não possui nem nome, é apenas uma figura.
E é nesse momento que ocorre o embranquecimento de Dona Flor, e as mudanças em seu mundo. Sua casa se transforma, tudo está em seu devido lugar: a casa foi toda etiquetada, as paredes foram pintadas e suas roupas ficaram mais sóbrias. Já com seu primeiro marido, ela é caracterizada como a típica mulata sensual brasileira, no filme isso pode ser visto na cena em que ela ensina a fazer uma moqueca – comida típica da Bahia negra – vestida apenas com uma lingerie. Reforçando e unindo os conceitos de sexualidade e cultura, a cultura ali representada pelo alimento.
O embranquecimento da personagem se dá, portanto, por uma questão de classe e não só de cor. Ela não era vista como mulata por estar casada com um homem negro, – até porque Vadinho é branco, loiro – e sim por estar casada com um homem “malandro”, um homem “do povo”, um homem mais livre. Seu embranquecimento se dá pela figura do homem branco “clássico”, trabalhador, conservador e por tudo que este novo meio trás e exige de Dona Flor. Ou seja, é uma questão de classe que muda a “cor” de Dona Flor e, portanto, seu papel social.
E seu papel social está representado pela figura da mulata, que dentro da perspectiva de Gilberto Freyre, que defende a/o mulata/o como representante da “harmonia” racial brasileira, como fusão das raças. Este que possui mobilidade social. Ela pode ser negra ou branca dependendo do espaço social que está inserida.
Quando ela se enquadrou socialmente em seu papel de mulher, de ser sustentada pelo marido, e segundo ele, “só trabalhar para comprar suas agulhas, suas besteirinhas” ela continuava infeliz. Afirmava que apesar de ter uma vida “perfeita” não era feliz, e questionava-se o porque disso, mas de forma rasa, porque ao mesmo tempo dizia que isso era besteira da sua própria cabeça. A solução para tal problemática foi ressuscitar o marido morto, que apesar das inúmeras questões a satisfazia sexualmente. Mas, podemos notar que há uma infelicidade quase que inerente à personagem, quando estava com Vadinho e sustentava a casa, subvertendo seu papel social enquanto mulher, ela queria ter filhos e uma “vidinha normal”, já quando ela possui isso, continuava insatisfeita por não atender a seus desejos sexuais e manter uma vida demasiadamente regrada.
A saída a essa questão é a convivência com os dois, Flor consegue finalmente satisfazer as suas duas vontades, a de ter um casamento perfeito e satisfazer seus sentimentos e desejos. No entanto, pelo fato de sua felicidade se realizar no plano da imaginação, dentro de representações simbólicas, podemos observar que a liberdade não é concreta do ponto de vista material, porque fica apenas no plano subjetivo explicitando o machismo inerente a sociedade: ela só pode ser livre em pensamento e não no plano concreto, ela tem que atender às exigências sociais para continuar sendo vista como uma mulher de “respeito”, ela não escolheu subverter, questionar, ela encontrou a felicidade abraçando ambos os caminhos: o marido-defunto-livre e o marido vivo-quase-morto. Ou será que escolher os dois caminhos não seria uma outra forma de subversão?
Larissa Andrade
Luara Dal Chiavon
Renata Nascimento
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Olá gente,
segue um pequeno vídeo do nosso encontro para discutir sobre o filme Partida.
Assistam!
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Mais uma vez um filme falando de amor. E porque tantos filmes falando disso que ninguém consegue definir mas todo mundo compreende? Partida trata do amor de dois amigos de infância, Fábio e Zé Luis são vizinhos desde que nasceram. Desde os anos 1980 jogam bola juntos e dividem paixões.
O amor de que falamos é um dos muitos possíveis nesse mundão louco, amor como síntese de amizade e desejo. São esses os sentimentos que permeiam o universo de Fábio e Zé Luis, além de claro, o futebol.
E é na final do campeonato do bairro, que esse amor vai entrar em jogo. Nada de muita rivalidade entre o time das Muquiranas (sim, um time todinho vestido de mulher) e o Pedra da Baleia F.C. , o conflito maior em nossas vidas sempre parte do que sentimos, e a paixão aqui transcende o futebol.
Mas e aí, por que falar de amor, se há tantas possibilidades para a construção de um conflito? Por que falar do amor entre dois homens? Por que falar da paixão nacional? É pra transcender todas as infinitas representações de amor romântico que já estamos tão acostumadxs* a ver. Amamos mas não nos sentimos representadxs na grande maioria dos filmes. E se a arte imita a vida, porque não falar de nós mesmxs?
Enfim, falar disso que ninguém consegue definir e que sentimos tanto. Falamos do inominável porque também amamos. E é sempre o mais belo e trágico dos conflitos: o amor em todas as suas infinitas formas.
* o x é utilizado como linguagem inclusiva, equivale tanto ao gênero feminino, quanto ao masculino.
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Estamos em reta final pra rodar Partida. Final do mês nos concentrando em Cachoeira pra botar pra fuder! Já tá praticamente tudo encaminhado, equipe se reunindo constantemente, calendário com o cronograma de trabalho colado na parede da Casa Bendita!
E como cinema é coletivo, além de nossa equipe e das várias pessoas que tão dando uma puta força, falta você colaborar! Tire 15minutos de seu dia, entra lá na nossa vaquinha (http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=34276) e contribua. Várias pessoas nos perguntam se aquele negócio é mesmo seguro, enfim funciona com um sistema chamado pag seguro, tire suas próprias dúvidas em: https://pagseguro.uol.com.br/#rmcl .
Mas se mesmo assim você não achar seguro, estamos rodando uma vaquinha física por aí. Mas se mesmo assim você morar longe e não quer doar através do site, entre em contato com um de nós ou através do email coletivobenditastetas@gmail.com e contribua, cinco, dez conto já fazem a diferença!
E apareça sempre por aqui, vamos atualizando tudo sobre o filme!
Agradecidas!
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Como já sabem, o Coletivo Benditas Tetas está em pré-produção de seu novo filme “Partida”. Para custear essa produção, estamos fazendo uma vaquinha (www.vakinha.com.br).
O antigo link para contribuições estava com defeito, segue um novo:
http://www.vakinha.com.br/Vaquinha.aspx?e=34276
Vocês podem contribuir a partir de 5 reais, prometemos colocar seu nome nos créditos como patrocínio, colaborem com a cultura!!!!
Clique e saiba como é fácil e seguro!
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Para começar bem o ano, o Coletivo Benditas Tetas está em ritmo de pré-produção, daqui a duas semanas rodamos nosso próximo curta, Partida.
Continuamos acreditando numa produção livre e independente, buscamos sempre esse caminho, então para bancar os custos do filme, fizemos uma vaquinha, literalmente!
Se você bota fé nesse projeto, pode dar sua contribuição. Agora xs amigxs são obrigadxs, viu! Para acompanhar toda essa correria e contribuir com o coletivo entre em www.partidaofilme.wordpress.com .
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